Data(s)

21/09/2022 
12/11/2022

Local

Lisboa 

Informações Práticas

Galeria Madragoa

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Apresentação

O meu trabalho geralmente toma a forma de escultura e instalação. Através de propostas discretas, tento deslocar a atenção do espectador para os espaços esquecidos da exposição. Brincando com luz, natural e artificial, e transparência, procuro questionar as condições do visível. Pensando nas peças como conjuntos que interagem, crio um caminho para o olhar do espetador, pedindo-lhe que esteja particularmente atento ao espaço que o rodeia. Através de reflexos, halos de luz, objectos escondidos, ligados ou desconectados, estabeleço sistemas de aparências e presenças. Mais virado para formas mínimas e gestos simples, o meu trabalho aparece na periferia, nos cantos, no chão, no teto, e circunscreve um território.

Num contexto de sobrecarga de informação onde a mente é constantemente solicitada por imagens, brincar com a superfície e a transparência é uma forma de oferecer resistência. Ser discreto é então uma forma de ocupar um território em segundo plano, uma forma de infiltração.

Através da experimentação da imagem, procuro questionar as condições do visível e criar situações de ver.

Trabalho com elementos imperceptíveis porque o que é importante é que as formas apareçam, desapareçam e depois reapareçam, que criem surpresa. Estou consciente de que não posso tornar o invisível visível porque não é visível na sua essência, mas tento deslizar para o interstício onde os extremos se encontram, o visível e o invisível, a sombra e a luz, o material e o imaterial, entre ver e ser cego, entre o cheio e o vazio. Este espaço flutuante entre dois é para mim uma superfície infra-fina e transparente. Ela materializa um limiar, aquele que está no nascimento do visível; uma abertura sobre algo perdido, algo esquecido, ausente: um espaço que seria o da superfície.

Camille Brée