Data(s)

27/06/2022 
03/07/2022

Local

Porto 
,

Informações Práticas

Capbreton – Wasted Rita & Elea Schmitter (30 de maio a 5 de junho)
Bordéus – Add Fuel & L’Atlas (6 de junho a 9 de junho)
Nazaré — Tamara Alves & YZ (13 de junho a 19 de junho)
Porto — ± maismenos ± & Rero (27 de junho a 3 de julho)

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Apresentação

Concebido pela Underdogs e desenvolvido em parceria com o Instituto Francês, o projeto de arte pública (Sem) Fronteiras tem como objetivo promover um encontro criativo entre quatro artistas portugueses e quatro artistas franceses, levando à criação de intervenções de arte pública em quatro cidades costeiras germinadas.

Portugal:

– Nazaré – Tamara Alves & YZ

– Porto – ±MaisMenos± & RERO

França:

– Bordeaux – Add Fuel & L’Atlas

– Capbreton – Wasted Rita & Elea Jeanne Schmitter

Delineado no âmbito da Temporada Cruzada Portugal-França e com curadoria de Pauline Foessel e Alexandre Farto aka Vhils, (Sem) Fronteiras constitui-se como um diálogo aberto entre os dois países. Uma porta aberta, construída de trocas, idas e vindas visuais e poéticas entre criadores de um mesmo movimento – a cultura urbana – explorando mundos estéticos e conceptuais que, apesar de sublinhados por evidentes diferenças, encontram-se encapsulados por uma profunda complementaridade.

As quatro intervenções colaborativas têm como mote uma reflexão sobre a natureza e o futuro das fronteiras, não só na sua dimensão geográfica, mas também na sua amplitude conceptual. Neste contexto, será dado um especial enfoque à complexidade das fronteiras urbanas e a forma como a criação contemporânea no espaço urbano joga com as fronteiras das cidades.

Adicionalmente, e também como consequência da geografia costeira dos territórios escolhidos, os artistas serão desafiados a explorar as fronteiras terrestres e marítimas, e as delimitações visíveis e invisíveis que existem no seio da União Europeia. Abrindo caminhos de exploração social, cultural, económica e política, (Sem) Fronteiras pretende acentuar a possibilidade de um espaço europeu que desperte o estabelecimento de relações recíprocas entre pessoas e ideias, enaltecendo também o poder da intervenção artística enquanto ferramenta para o questionamento e alavanca para a coesão social e geográfica.

 

Biografias dos artistas:

NAZARÉ

Tamara Alves

Tamara Alves é uma artista e ilustradora portuguesa que reside actualmente em Lisboa. Licenciou-se em Artes Plásticas (ESADIPL) e fez um mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas, onde o assunto da dissertação foi “Activismo Público em Contexto Urbano”. Interessada desde sempre por um tipo de arte que é “inserida” no mundo, fascinada pela estética da rua e pelo contexto urbano, Tamara prefere ignorar espaços convencionais como galerias ou museus para apresentar o seu trabalho na rua ou em espaços públicos. No seu trabalho é representado o panorama erótico de um corpo contemporâneo com esses efeitos de dilatação dos limites que o constituem. Uma paixão bruta, em vez da deliberação racional, um corpo-sem-órgãos, um devir animal, as sensações experimentadas, “esfomeados histéricos nus” (Allen Ginsberg). Apresentando uma linguagem plástica inspirada na estética urbana, utiliza suportes com características multifacetadas – desenho, pintura, cerâmica ou tatuagem. Desde 2000, participa em vários projectos, exposições individuais e colectivas, e intervenções de arte urbana.

YZ

Yseult Digan aka YZ é uma artista franco-britânica cujo trabalho explora contextos históricos e políticos ligados às realidades de descendentes de escravos do Caribe, mulheres-soldado africanas e figuras femininas de uma diversidade de origens étnicas. As suas composições, que variam em escala, meio e técnica, representam uma tentativa de reabilitar a imagem e posicionamento de grupos obscurecidos e destratados pela História. O seu trabalho tem sido apresentado em instituições de renome como o Centre Pompidou em Paris ou o ArtScience Musuem em Singapura, e em 2017 foi escolhida para dar uma nova face a Marianne – a personificação nacional da República Francesa – na sua representação em selos de correio: uma reinterpretação que intitulou de “Marianne l’Engagée”. Em 2019 foi convidada pela Eurotunnel a criar dois trabalhos monumentais, um em cada lado do Canal da Mancha. Depois de ter vivido e trabalhado vários anos no Senegal e Costa do Marfim, actualmente reside em França.

PORTO

±MaisMenos±

±MaisMenos± é um projecto de intervenção artística do artista e designer gráfico português Miguel Januário, que começou no âmbito de uma tese académica em 2005 e mais tarde ganhou vida própria. Oferece uma reflexão crítica sobre o modelo de organização política, social e económica inerente às sociedades urbanas contemporâneas. Efectuando uma dissecção clínica da realidade que joga com o sistema de dualidades intrínseco ao edifício ideológico ocidental, a expressão programática do projecto encontra-se conceptualmente reduzida a uma equação de simplicidade e opostos excludentes: mais/menos, positivo/negativo, preto/branco. Sob a insígnia ±MaisMenos±, o artista tem produzido trabalho instigante e inovador tanto dentro como fora de portas, numa variedade de suportes – do vídeo às instalações esculturais, da pintura à performance. A par das inúmeras intervenções ilegais no domínio da arte pública realizadas em vários países, o projecto também tem sido exposto em mostras individuais e colectivas em múltiplos contextos. A sua obra encontra se representada em várias colecções privadas.

RERO

O instantaneamente reconhecível trabalho de RERO contém uma fluidez inerente, explorando uma panóplia de conceitos sociais, da tecnologia e consumismo à linguagem e obsolescência. Quebrando barreiras e distanciando-se do uso de superfícies tradicionais para a implantação das suas afirmações minimais, as intervenções textuais de RERO, sempre executados na mesma tipografia Verdana e desprovidas de qualquer afloramento, exploram o confronto, a estética da destruição e a ideia da apropriação. Passando por trabalhos em tela, livros antigos, néon, porcelana, bustos escultóricos, paredes de pladur, jornais carcomidos, máquinas de escrever e bandeiras, as suas peças mais ambiciosas constituem-se como instalações de grande escala que usam o espaço de galeria ou museu como um lugar para explorar noções de contexto e percepções de espaço. Os trabalhos de RERO têm sido apresentados numa diversidade de espaços públicos e privados, incluindo o Centre Pompidou, Musée en Herbe e o Musée de la Poste, Confluences em Paris e Antje Øklesund em Berlim. Mais recentemente o seu trabalho tem sido exposto um pouco por toda a França, Estados Unidos, Alemanha, Itália e Suíça.

BORDÉUS

Add Fuel

Add Fuel é Diogo Machado, artista e ilustrador português. Ex-designer gráfico, a sua prática artística recente tem-se concentrado em reinterpretar e brincar com a linguagem tradicional do azulejo, e em particular aquele de origem portuguesa. Mesclando elementos tradicionais e contemporâneos, as suas originais criações de base vectorial e intervenções de rua com recurso ao stencil revelam uma impressionante complexidade e uma mestria na atenção ao detalhe. Com base numa combinação de tesselações que criam harmonia a partir de repetições simétricas e técnicas de ilusão visual como o trompe-l’oeil, as suas composições de padrões multi-dimensionais criam um ritmo poético que joga com a percepção do observador e as possibilidades de interpretação. Desde 2006 tem exposto o seu trabalho em mostras individuais e colectivas, assim como participado em alguns dos principais eventos mundiais de arte urbana.

L’Atlas

L’Atlas é o artista francês Jules Dedet Granel. Tendo estudado caligrafia em vários países e contextos multiculturais, a pesquisa e a escrita representam pontos de partida para o seu trabalho plástico e pictórico. Criando tipografias originais, L’Atlas é particularmente fascinado pela ideia de uma linguagem universal que detenha o equilíbrio ideal entre forma e letra, entre acto e intenção. Nos anos 90 começou a criar intervenções no espaço público, tornando-se amplamente reconhecido no mundo do graffiti. O seu trabalho de estúdio começou a tomar forma no início dos anos 2000, levando a uma série de exposições em galerias de arte urbana contemporânea. A sua prática artística envolve uma sistemática pesquisa e renovação da sua abordagem às letras e linhas, e ao ritmo codificado da escrita. Explorando a fronteira do ilegível, o seu trabalho tem-se tornado progressivamente mais abstracto e minimal. Recentemente começou a colaborar com urbanistas para dar uma terceira dimensão à sua arte, acentuando assim a componente arquitectónica do seu trabalho.

CAPBRETON

Wasted Rita

A artista e ilustradora portuguesa Wasted Rita tem vindo a desenvolver uma prática de natureza crítica e particularmente intimista que explora a sua relação amor-ódio com a vida e o mundo à sua volta. A assumida “agente provocadora nata” gosta de pensar, escrever e desenhar, dando vida a pequenas jóias de sabedoria sarcástica embebidas em ácido que reflectem uma educação não convencional num colégio católico ao som de Black Flag. Fazendo uso de uma variedade de suportes – incluindo objectos esculturais, instalação, pintura, desenho e escrita – a sua voz singular dá forma às suas observações mordazes e invectivas poéticas sobre o comportamento humano e a cultura contemporânea. Desde 2011, tem apresentado o seu trabalho numa variedade de contextos, incluindo exposições individuais e colectivas em galerias, instituições e eventos artísticos em vários países.

Elea Jeanne Schmitter

Elea Jeanne Schmitter é fotógrafa, artista conceptual ou investigadora, talvez até seja um pouco de cada, de acordo com as personagens que interpreta, os rituais que imagina, as partes da vida que reconta e os sentimentos que partilha. Guiada por um interesse em sistemas de comunhão e agrupamentos conceptuais entre pessoas, a sua prática envolve uma extensa pesquisa sobre o poder e a estrutura do secretismo e a natureza precária da verdade. Elea Jeanne Schmitter explora a imersão como forma de criação, decisões irracionais como soluções e o inesperado como uma porta giratória para o que está por vir. O trabalho da artista evolui através do processo de uma viagem que é essencialmente utópica, de uma narrativa que pressupõe uma procura: a procura do verdadeiro amor, da espiritualidade e da ideologia política.

 

Imagens